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Literatura Grega – Parte II: Cosmovisão – A Poesia Sacerdotal

Literatura Grega – Parte II: Cosmovisão – A Poesia Sacerdotal

O canto dos pássaros moviam os ânimos dos poetas nos primórdios da civilização helênica. Com alguma segurança, podemos afirmar que a cítara e a voz pretendiam imitar os sons e as sensações fantásticas presentas na natureza; aliás, impossível desassociar a mitologia das impressões mais diretas que temos no contato com a beleza natural da Terra.

Para compreender melhor o que seriam as primeiras inspirações poéticas, imaginemos os elementos nos quais os homens detinham sua atenção, contemplavam o sol nascente, trazendo o despertar e o cantar das aves, os diferentes timbres, tons e intensidades, assim como é a riqueza de uma floresta primaveril repleta de frutos com suas cores, movimentos ou geometrias, tudo harmônico; depois o pôr do sol, o anoitecer e a noite, com o céu estrelado e vibrante, talvez tendo a lua como sua rainha de prata em relação aos outros astros; já quanto a inspiração sonora, lembremo-nos ainda o som da corrente de água constante de um córrego, talvez um gotejar numa gruta úmida e escura, similar às notas musicais da harpa; essas e inúmeras partes da natureza lhes forneciam o seu material, além de inspirações místicas, memórias antigas, costumes e lendas.

No entanto, nisso tudo, o certo é que as palavras dos versos eram cantadas ao som de seus instrumentos, da cítara, da harpa e da lira e levavam o homem a celebrar uma inteligência e um poder para os quais suas composições, ainda não tão sofisticadas, apontavam.
Os primeiros poetas tinham um certo papel de rememorar e destacar essas coisas belas e profundas, nos momentos importantes: cantavam juntos nas festas, celebravam-nas com hinos aos deuses, daí temos hinos, poesias místicas, teogonias e cosmogonias; como se sabe, já tinham o objetivo da religação com a origem de tudo, fazendo com que as composições poéticas transportassem imaginativamente esses homens aos seus primeiros deuses e às primeiras coisas do universo.

Mas também, não tão distante do objetivo primordial dos outros mitos, temos textos sobre conhecimentos diversos, sobre, por exemplo, tremores de terra e propriedades medicinais de certas pedras.

Dentre os aedos (cantores), damos destaque ao nome do Calcídico Lino, ao Tebano Anfíon, e aos dois Trácios Museu e Orfeu. É lastimável que tenham chegado até nós apenas os seus nomes, com exceção de fragmentos de poesias e obras de Orfeu, o mais destacado deles, ainda que tenham sido julgadas apócrifas, devido aos estilo de escrita similar a outros posteriores ao período da poesia sacerdotal. Orfeu teria sido o autor de hinos de iniciação (Teletai), o poema sobre a expedição dos Argonautas e alguns outros os quais estudaremos melhor na continuação.

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