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Escrita e poder

Escrita e poder

            O uso de escrita também será um traço fundamental da civilização micênica. Pelos artefatos que nos proporcionam acesso a sua língua vemos que seu tipo de representação é uma herança dos cretenses. Parece que é com os minoicos de Creta que os aqueus vão aprender toda sua estrutura de registro de informação por meio do trabalho de escribas, que tem a função técnica de manter tudo contabilizado e catalogado. É dos cretenses, portanto, que os micênicos vão receber toda estrutura burocrática de sua civilização palaciana. Essas estruturas, assim como outros recursos aprendidos com os cretenses, vão sofrer as adaptações necessárias para o contexto de um povo indo-europeu. A própria escrita, apesar de ser essencialmente a mesma que a dos cretenses, vai ter que ser adaptada à língua falada dos aqueus, surgindo, portanto, a partir desse encontro entre os dois povos um novo contexto cultural e civilizatório de linguagem.

            É importante notarmos que há poucas mudanças na escrita em longos períodos, o que indica que essa escrita era voltada para fins técnicos e que por isso estava restrita a um círculo bem limitado de pessoas como nobres, escribas e outros funcionários da burocracia palaciana. Isso também mantinha a centralização da informação, o que também contribuia para o controle das atividade no domínio a partir do palácio.

            Toda essa estrutura burocrática ajudava ao Anax (Rei Divino) a manter os recursos e poder centralizados. É a partir do controle estrito da informação que se sabe quanto exatamente se produziu e quanto e como se deve distribuir. E a distribuição é o que vai sustentar o aparato de funcionários, manter a produção, a arrecadação, o comércio marítimo e, acima de tudo, o aparato militar.

            A escrita é, portanto, de máxima importância para a estrutura de organização do mundo micênico. Ainda que sua disseminação seja de certo modo restrito, sua importância era tal que podemos dizer que sem ela a civilização palaciana dos aqueus nos moldes assumidos seria impossível, por outro lado, pela especificidade do uso da escrita e sua relação com o ambiente burocrático, com as invasões dórias e a queda do mundo micênico, e portanto dessa estrutura burocrática, essa mesma escrita cai em um certo esquecimento, sendo só novamente recobrado o uso da escrita no continente a partir do contato com os povos comerciantes do oriente do egeu e mediterrâneo.

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