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Russell Kirk – Por que estudar latim?

Russell Kirk – Por que estudar latim?

Um estudante do ensino médio de Nova York me escreve, perguntando por que o latim deveria ser estudado. Aqui, em poucas palavras, está minha resposta.

Às vezes, uma justificação inadequada é oferecida para este estudo: diz-se que o latim “é um bom treinamento intelectual”. Embora seja verdade, isso é igualmente verdadeiro para qualquer outra disciplina escolar genuína. Pode-se dizer o mesmo do sânscrito ou chinês.

As verdadeiras razões pelas quais o latim não deve desaparecer do currículo são várias. Primeiro de tudo, estudamos qualquer corpo de literatura para nos familiarizarmos com grandes pensamentos e frases nobres. A literatura latina é uma das principais bases de nossa cultura e não pode ser perfeitamente entendida por mera tradução. Lucrécio, Horácio, Virgílio, Cícero, Sêneca, Cátulo, Apuleio, Lívio e meia dúzia de outros autores latinos ainda são muito importantes. E através do conhecimento desses escritores, aprendemos sobre a grandeza que era Roma; chegamos a entender a ordem romana, a justiça, a gravidade, a frugalidade, a coragem.

Em segundo lugar, o conhecimento do latim nos ensina muito sobre a nossa própria língua. Só nos tornamos mestres de nossas palavras, usando-as com precisão e força, se compreendermos suas raízes latinas.

Terceiro, um conhecimento do latim é essencial para o cumprimento de vocações e profissões importantes. Os escritos dos pais da igreja e de muitos filósofos cristãos foram feitos em latim, e portanto qualquer clérigo competente ou leigo sério deve ser capaz de ler tais obras no original. Direito e medicina devem ser confusos para qualquer estudante que não possa compreender o significado dos inúmeros termos latinos nessas profissões eruditas. Nossas ciências naturais e físicas – botânica, física e química, para citar apenas três – dependem em parte de termos e classificações em latim.

Quarto, o latim ainda é uma língua internacional. Conhecendo o latim, pode-se adquirir um domínio de francês, espanhol, português, italiano, romeno e algumas outras línguas sem grande dificuldade. Na Igreja Católica, ao menos, o latim continua sendo um meio direto de comunicação entre pessoas de nacionalidades e grupos étnicos muito distintos. (Os bispos africanos estão muito aflitos com os planos de restringir a liturgia latina da igreja, porque o latim é a única língua que os católicos africanos têm em comum.)

Por essas e outras razões, é mais importante conhecer o latim do que adquirir proficiência em qualquer língua estrangeira moderna. Um estudante americano que se torna razoavelmente familiarizado com o latim é muito afortunado; o inglês é a língua mais conhecida no mundo moderno, e a literatura inglesa é o corpo mais rico de letras humanas. Conhecendo tanto Shakespeare quanto Virgílio, tanto Samuel Johnson quanto Marco Túlio Cicero, tanto os versos da Bíblia quanto Santo Agostinho, qualquer jovem americano está no caminho da sabedoria.

Publicado originalmente em “To the Point”, em 9 de Setembro de 1966. Traduzido por Guilherme Cintra, do blog Ordem e Liberdade.

 

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