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Fábulas na Educação Romana

Fábulas na Educação Romana

Dentre os gregos e os romanos, eram chamadas fábulas todas as histórias de heróis ou de deuses. Num longo período, viu-se um repertório de imagens riquíssimas, que nos sugerem um imenso colorido de criaturas marinhas, revividas por entre tantos astrolábios e lunetas do século XV, assim como os deuses, todos, como o titã Atlas, tendo aos ombros um peso de significado além das forças naturais. O ímpeto humano presente nos ouvintes de tantas narrativas nunca desapareceu e, como cães em busca dos seus ossos, ao longo de gerações de cultura ocidental, ainda escavamos  na grama ou na terra seca das nossas experiências coletivas em busca de nossos preciosos ossos, como em busca da descida numa viagem dantesca! E a fórmula ao nosso alcance, para coroar o nobre impulso de conhecer a si mesmo, começa por revivermos as mais belas histórias a nós mesmos e aos outros!

Que histórias devem ser guardadas? É uma pergunta que talvez hoje não ocorra com a mesma força como sucedera a Agostinho no século V, em fuga dos bárbaros, escolhendo o essencial dos seus livros para guardar consigo, porque agora tudo é registrado em bites e nada mais poderia se perder guardado em PDF! Mas a verdade é que o pior para Santo Agostinho assim como a tantos outros sábios de mesmo espírito vívido, ainda seria ter perdido o essencial de sua memória. A literatura importante deve ser guardada nos corações das gerações, que as tenham de cor não só pelo valor em si mesmas, mas porque são as preciosidades aos homens de todos os tempos. Pois vemos nas Metamorfoses de Ovídio um dos grandes exemplos do reconhecimento desse mesmo valor, obra que registra um mundo completo e farto de humanidade. Do mesmo modo, não é difícil imaginar que em algum momento um menino romano tenha ouvido junto aos irmãos em sua própria casa, a história de Pigmaleão, do Dilúvio e da reconstrução do mundo, tenha se entusiasmado aos calafrios de medo das criaturas como Polifemo ou o próprio Minotauro! Assim como faz Syra, no“Fabulae Syrae”, As Fábulas de Syra, escrito por Luigi Miraglia, aqueles que puderem contar as mesmas grandes histórias, guardando-as nos corações dos filhos, netos, ou alunos, estarão mantendo vivas nos corações imagens tão ricas que nunca cessam de produzir seus frutos, assim como as narrativas bíblicas atuaram num mundo completamente novo como peça fundamental.

Syra é uma escrava de Iulius no romance do livro didático Familia Romana. Quando um dos filhos de seu senhor adoece, ela senta-se ao pé da cama e conta-lhe as histórias do seu  tempo, que encontraremos nas Metamorfoses de Ovídio em versos bastante rebuscados. Ela narra com facilidade, simples e humana, o que hoje parece completamente esquecido até entre os educadores. Soubesse ela ou não as histórias em verso, sabia contá-las, como poderia ser com qualquer pai ou mãe romanos, e colocava, no entanto, a sua pena sobre as histórias pintando as cenas todas de um jeito suave e natural a Quintus. Nada substituirá essa atividade, nenhuma refeição será tão gorda à imaginação e a inteligência do que o domínio das narrativas dos heróis e desses monumentos de nossa cultura.

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