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Como memorizar verbos da língua latina!

Para quem fala inglês isso é extremamente difícil, memorizar a conjugação de um verbo na língua latina, a começar pelo modo como conjugam seus próprios verbos: “I see”, “you see”, “he sees”,  “we see”, “you see”, “they see”. Enquanto nós temos em português “eu vejo”, “tu vês”, “ele vê”, “nós vemos”, “vós vedes”, “eles veem”! 

Se não soubéssemos que há outras dificuldades na língua inglesa que a tornam um tanto desafiadora em alguns momentos, diríamos que é ridícula de fácil! Porém, na parte de conjugações, é realmente simples! Isso acontece porque a língua portuguesa é muito semelhante a sua língua-mãe, o latim. 

Em latim temos: “ego vídeo”, “tu vides”, “ille videt”, “nos videmus”, “vos videtis”, “illi vident”. Notem a semelhança com a língua portuguesa! Não nega a própria genética!

Contudo, nós Brasileiros temos sido muito negligentes no estudo de nossos próprios verbos, nossa linguagem falada vem até mesmo largando de mão o modo subjuntivo, como em “que eu veja”, “que nós vejamos” etc. Talvez possamos culpar um pouco a influência da escrita inglesa por isso, mas de fato, parece que desdenhamos um tanto da fala correta e simplificamos as formas verbais! Esse gradual abandono das formas não é bom para nossa capacidade de expressão, menos ainda para ler o que há de mais tradicional da cultura clássica, em latim ou em grego, ou mesmo em outras línguas neolatinas que se conservaram sempre bem, ainda que com gradual mudança, como o Espanhol.

Por conta dessa dificuldade, em especial, nossas dificuldades com declinações e conjugações vêm aumentando muito e desejo aqui trazer algumas orientações para que nossos estudantes de latim e da boa escrita consigam curar-se ou melhorar suas habilidades com a utilização dos verbos. O que mostraremos não é tão fácil e também não é tão difícil. 

O que devemos fazer ao conhecer um novo verbo em latim? Por exemplo este do qual acabamos de falar, “videre”? Antes de enlouquecer pensando que possui mil conjugações, devemos utilizá-lo de um modo muito simples, aplicado-o em alguma frase:

Ego video mensam. – Eu vejo a mesa.

Pronto, busca a primeira mesa que puderes ver e diz: “ego video mensam” (eu vejo a mesa). Esse é o primeiro passo. Depois imagina uma outra pessoa que esteja próxima, que também vê a mesa e diz a esta pessoa, real ou imaginária: Tu vides mensam (tu vês a mesa). Agora, imagina uma terceira pessoa nesse mesmo lugar e diz àquela que já estava ali antes: ille videt mensam. (ele vê a mesa). Tudo entendido até aqui? Faz isso outra vez, mentalmente, sem usar esse texto como “cola”.

Próximo passo:

Aparece uma quarta pessoa no local, nesta sala, real ou imaginária e tu dizes assim, “nos videmus mensam” (nós vemos a mesa). Depois, tu te viras para todos eles e diz: “vos videtis mensam”. Por último, te tornas a um deles e diz “illi vident mensam”. 

Esse exercício é a base para memorizar os verbos. Ou seja, mesmo no subjuntivo, mesmo na voz passiva, mesmo em outros tempos verbais, tu vais fazer isso:

Coloca-te em uma situação, real ou imaginária, cria uma sentença como essa, a mais simples possível, e depois utiliza o verbo nas três pessoas (ego, tu, ille), no singular e no plural (nos, vos, illi). Sem esquecer de abandonar a cola o quanto antes!

Mas tu podes querer nos perguntar agora: por que preciso falar em latim, se quero apenas ler? A resposta é: não precisas falar, mas utilizar as palavras devidamente, desse modo, memorizando as suas formas! Antes de memorizar uma forma escrita, precisamos tê-las em forma sonora em nossa memória! A escrita vem depois, primeiro o som! Mesmo se tu fizeres aquele velho exercício de memorizar poesias de Camões, escrevendo-as em um caderno, a atividade de escrevê-las pressupõe ter lido verso por verso, recolhendo para si o som de cada um deles!

Entendido isso, não te esqueças de que aprender as formas verbais e entendê-las é só o primeiro passo. O segundo passo é utilizá-las aplicadas a situações bem formuladas na imaginação! O último passo é, ao ter dominado uma conjugação em um tempo verbal, exercitar uma segunda conjugação junto da primeira, variando tempo, modo ou voz. 

Exemplo: memorizei “video, vides, videt”, agora treino junto dessa primeira forma, que está no tempo presente, o tempo pretérito imperfeito: “videbam, videbas, videbat”. Digo, de preferência em voz alta uma após a outra, comparando bem as duas diferentes conjugações em seus tempos verbais distintos.

Feito isso, agora estamos completos! Se fizeres isso, enfrentarás grandes dragões do mundo dos verbos, como quem carrega uma espada abençoada na batalha! É possível memorizar muitas formas desse modo e até recomendável. Por fim, esperamos ter ajudado nesse exercício e desafio e, se tiveres mais dúvidas, ficamos à disposição para te ajudar! Vale!