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Desvendando a gramática por dentro de suas raízes: como nunca mais confundir classes de palavras!

Quando tu aprendeste o que era um substantivo? Ou ainda não sabes bem o que é? A professora dizia “Bola, Casa, Bala, Mesa, Mônica, João, são substantivos”! E desse modo podíamos diferenciá-los brevemente, não? Depois ela dizia “Quais são os verbos? Fazer, comer, amar, sentar, cair, esses são os verbos”! Logo depois completava assim: “Os adjetivos os que são? Feio, bonito, grande, pequeno”. Não é difícil perceber a diferença entre eles! Mas quem consegue, apenas conhecendo exemplos, explicar essas diferenças? Qual criança consegue diferenciar isso? 

Alguns de nós, no princípio das lições gramaticais que fazíamos na escola, tivemos a atitude de pensar sobre isso, tivemos a criatividade para dizer “professora, acho que verbos são coisas que fazemos… ou algo assim”. Porém talvez isso não seja o suficiente. 

Talvez não seja o suficiente, porque estamos ao mesmo tempo percebendo que nossa professora dividia o léxico todo de palavras da nossa língua, que para uma criança é algo INFINITO – pelo menos pode ser a sensação de alguém que se depara pela primeira vez com classificações – e não temos um bom repertório de palavras em nossa pequena memória na idade de 10 anos. Diria que a dificuldade inicia aí, no repertório de leituras talvez. Mas quero falar aqui também sobre a segunda dificuldade! De entender categorias gramaticais! Quem pode explicar o que “substantivo” ou “Adjetivo” significa? Quem pode explicar o que “Adjunto” ou “Advérbio” significa? Nem todos notam imediatamente a correção entre “verbo” e “adverbio”, por exemplo. 

Então, se tens dificuldade com essas coisas, a saída talvez esteja em estudar as partes da oração! O que é isso? Primeiro, certamente devemos aprender o que é oração. Oração é uma unidade frasal, composta de palavras, que possui um sentido COMPLETO. Para possuir um sentido completo, é necessário que ela contenha o seu? VERBO. O verbo, nas orações de qualquer língua, é a peça ou vínculo entre as palavras – pensem em uma corrente ou peça de um quebra-cabeças que liguem diversas outras coisas a sua volta. Sendo assim, as orações são composições frasais, mesmo essas que fazemos no dia a dia, ou que estão aqui no texto, dotadas de sentido completo, de modo que não vemos faltar nada em seu sistema ou todo. Por isso dizemos “Fulano diz coisas sem pé nem cabeça”, quando alguém fala algo que parece não ter as partes essenciais que deveria ter. Do mesmo modo, se fizermos orações sem pé nem cabeça, não são orações, são frases no mínimo “dadaístas”. Se eu disser “João tão, que até cair”, faltam elementos muito importantes nesta frase. Somos até mesmo tentados a completa-las! Mas se dissermos “João é um menino muito bom”. Pronto, temos sentido completo, nosso verbo que liga “João” ao que ele é “menino” e seus atributos “muito bom”, está ali fazendo o seu papel ligante, o mais básico.

Entendido isso, vejamos quais são as partes, ÚNICAS partes, que uma oração em língua latina pode conter. E já vamos entender o que isso tem a ver também com português. As partes são oito: Nome, Pronome, Verbo, Advérbio, Particípio, Conjunção, Preposição, Interjeição. Sabendo isso, já resolvemos aquele primeiro problema: embora o léxico de palavras de uma língua seja bem grande, cada uma delas SÓ pode ser classificada em alguma dessas PARTES, que em português, agora sim, chamamos CLASSES MORFOLÓGICAS. Agora, resolvendo o segundo problema, devemos entender o que significam essas palavras! Vejamos.

Nome, em latim ‘nomen’. Um nome é aquilo que denomina, o quê? QUALQUER ente, qual coisa que seja material ou apenas virtual ou racional, que esteja apenas em nossa razão. Nomen em latim, pode ser o nome de uma pessoa, próprio, um nome da espécie de algo, como animal, vegetal ou mineral, ou seja, nome comum (em português, até aqui, substantivos), e pode ser um atributo que denomina esses outros, o que chamamos de adjetivo. Adjetivo é assim chamado por ter como prefixo “ad” mais “iacere”, que pode significar algo como ‘jogar’, ‘repousar’, ou seja, que é “jogado junto de”. Junto de quem? De outros nomes. Adjetivos só podem ser usados quando se dirigem, portanto, a nomes comuns ou próprios, também chamados de substantivos. 

Pronome, em latim, “Pronomen”. A palavra é formada do prefixo ‘pro’ que significa “em lugar de”, ou seja, em lugar do NOME. Se dizermos “ele foi para a rua”, ‘ele’ é um pronome, foi usado em lugar do nome próprio de uma pessoa. “João, que foi para a rua, viu seu pai”, do mesmo modo, ‘que’ foi usado em lugar de “João”, até porque não diríamos “João, João foi para a rua, viu seu pai”. Devemos substituir por algum tipo de palavra que o represente, ou seja, o pronome!

Verbo, em latim, verbum. É também em latim e português, sinônimo de ‘palavra’. Verbos são ações! A origem remete a “voz” ou “aquilo que é dito”, talvez por ser o centro da oração, tenha uma palavra de sentido mais abstrato, como se vê.

Advérbio, em latim, “Adverbium”. ‘Ad’, que significa ‘junto de’, une-se a ‘verbum’. E isso diz tudo sobre a sua função, ela une-se ao sentido do verbo, modificando-o ou especificando o seu sentido. Seu nome é dado em função de sua relação com o VERBO.

Particípio, em latim, “Participium”. É aquele que participa, em latim, dado pela união entre duas palavras “pars” que é ‘parte’ e ‘capere’ que é ‘pegar’ ou ‘tomar’, no mesmo sentido. Então, do mesmo modo, quem participa de algo, “pega parte de algo”. Este conceito indica que esta parte da oração “pega parte” que parte? Pega uma parte de NOME (adjetivo) e outra de VERBO. Exemplo: “Essa jóia é feita por mim”. “Feita” é um particípio, comporta-se como verbo, porque ganha complementos e também como adjetivo, porque caracteriza ‘jóia’, podendo desdobrar-se em gênero masculino e feminino: feita, feito.

Conjunção, em latim, “Coniunctio”. É a junção de “cum”, no sentido de união, mais “iunctio”, ou seja, junção. A conjunção une duas orações, para isso que serve! Assim como quanto dizermos que algo conjunta-se com outro.

Preposição, em latim, “Praepositio”. Em latim, ‘prae’ significa “diante”, “a frente de”, e “positio” é posição. As preposições, como “com”, “em”, que em latim são “cum” e “in”, tanto numa língua quanto na outra ficam sempre a frente a de NOMES (substantivos e adjetivos), então é aquela que fica a frente de substantivos. 

Notem, agora, como esses conceitos sempre indicam funções, mas que são exercidas diante de alguma outra parte da oração: adjetivo, pronome e preposição expressam a sua relação com os NOMES (substantivos e adjetivos). O advérbio, por sua vez, com relação ao VERBO. A conjunção, com relação às ORACÕES (a serem unidas). O particípio, com relação a pegar parte de NOME e VERBO.

Por último, as interjeições. Interjeição, “Interiectio”. Aqui temos a soma de dois conceitos “inter” e “iacere”, ou seja, dá o sentido de “ser jogado entre”, entre o quê? Entre outras frases e oraçõs. Exemplos: “Psiu! Quero falar contigo”! “Psiu” é uma interjeição, é solta entre as outras partes da oração e jogada entre elas sem conexão funcional. 

Agora que aprendeste tudo isso! Tens alguma dúvida do que signifiquem essas classes? Como será de agora em diante o teu estudo de gramática? Espero que tenhamos ajudado! Tratamos aqui de resolver aqueles dois problemas, do entendimento das partes, como apenas 8, em latim ou 9 se dividimos os Nomes em substantivos e adjetivos. (Em português ainda temos o “artigo”, diferentemente do latim que não o possui, sobre o qual podemos discutir depois, em outro momento.) E o segundo problema de entender seus nomes e funções básicas que são indicadas por eles. Em caso de qualquer dúvida, vem para nossas redes e podes tirá-las aqui conosco! Valete, amici!